Lost (5×03: “Jughead”)

E a viagem temporal continua.
Confirmando como será a estrutura da série daqui em diante, temos um episódio centrado no grupo que ainda se encontra na misteriosa ilha, embora também tenhamos o direito de assistir às aventuras de Desmond na Grã-Bretanha. Mas se existe uma personagem a quem possamos atribuir o protagonismo de Jughead, esse alguém é Daniel Faraday.
Para mim, Daniel sempre foi uma personagem bastante interessante. Por detrás daquele lado de génio, sempre pareceu existir algo mais escondido, que justificasse o seu “desespero” (à falta de palavra melhor). Agora percebo porquê. As suas experiências na Universidade revelaram-se um desastre, quando uma jovem mulher, Theresa – terá Faraday mantido outro tipo de relação com ela? – fica presa em constantes viagens temporais, tal como aconteceu com Desmond em The Constant. E o final do episódio, depois de um novo flash de luz, permite-nos desenhar uma linha paralela entre os destinos de Charlotte e Theresa: o episódio termina com a primeira a ter uma grave hemorragia nasal. Terá Charlotte morrido como anunciavam alguns spoilers ou ficará num estado semelhante ao de Theresa? Seja como for, acredito que esta não será a última vez que iremos ver a personagem de Rebecca Mader. Afinal, em Lost, estar morto não significa nada, e agora com as saltos temporais em que a ilha se encontra poderemos sempre cruzarmo-nos com ela. Aliás, o mesmo se aplica a Jin, já que Daniel Dae Kim continua a ter o seu nome nos créditos iniciais.
Mas as semelhanças entre os dois focos de acção não se ficam por aqui. Ao descobrir que Charles Widmore sempre financiou a pesquisa de Daniel, Desmond vai encontrar-se com o seu sogro, ao mesmo tempo que temos oportunidade de o conhecer enquanto jovem. Um dos atacantes de Sawyer e Juliet no episódio passado era, justamente, o jovem Widmore, dando mais pistas sobre a sua importância para a mitologia da série. No presente, terá ele algo a ver com a morte de Locke, ou melhor, Jeremy Bentham? É que o encontro entre os dois não foi propriamente animador. E o mais interessante foi verificar que Locke é o responsável pelo seu próprio destino.
Um novo encontro com Richard Alpert, que não se parece recordar do ex-parapelégico. Locke alerta-o, então, para o facto de ele ser o novo líder d’Os Outros, algo em que Alpert não acredita. É então que um dos acontecimentos da temporada passada encontra aqui uma explicação: lembram-se da visita de Richard a Locke quando era criança em Cabin Fever? Foi Locke quem lhe sugeriu isso! Pena que este encontro tenha sido interrompido pelo novo salto temporal, continuando Locke na ignorância sobre como tem de sair da ilha (e morrer)…
Apesar de toda esta intrínseca rede de ligações entre personagens e acontecimentos, calando todos aqueles que afirmam que a história de Lost é uma manta de retalhos, Jughead ainda não foi o verdadeiro ponto de partida para esta quinta temporada. Um bom episódio cheio de surpresas, mas que continua com uma sensação estranha de capítulo introdutório para o que vem aí.
Talvez para a semana, com o natural destaque nos Oceanic 6 e em todos os outros que se encontram no mundo real as coisas mudem, pois não nos podemos esquecer que o relógio continua a contar, e eles têm cada vez menos tempo para regressar. Para além disso, Desmond, Penny e Charlie (bonita homenagem) dirigem-se para Los Angeles. Irá o seu caminho cruzar-se com o de Ben? Irá ele cumprir a promessa feita em The Shape of Things to Come?
CLASSIFICAÇÃO DO EPISÓDIO:
5×03 (“Jughead”): 7,5/10,0
MVP: Henry Ian Cusick; Jeremy Davies; Terry O’Quinn
Em parceria com Hotvnews
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